sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Recorde

por Paulo Henrique Amorim

2007 foi o melhor ano da história do Brasil, os grandes jornais, na
ausência de algo ruim, de algum novo escândaloinventado e aumentado, não têm manchete alguma. Vou sugerir uma.

A palavra que resume o ano de 2007 é Recorde.


Senão vejamos:
Recorde de empregos (mais de 2 milhões de empregos criados),
recorde no PIB superior a 5% de crescimento),
recorde na produção de automóveis,
recorde na venda de automóveis,
recorde no crédito,
recorde na construção civil,
recorde nas exportações,
recorde no superávit primário,
recorde nas reservas internacionais,
recorde nas vendas do comércio,
recorde na arrecadação do governo federal (sem aumento de impostos e sim uma
melhoria sensível nos órgãos arrecadatóriosfiscalizatórios),
recorde, recorde, recorde.

Ah, mas que absurdo.
Tantos recordes conseguidos por um governinho do PT, de esquerda, o partido do Presidente Lula, aquele mesmo, torneiro mecânico, nordestino, o presidente que não tem diploma de curso superior.
É, vivemos o melhor ano da história do Brasil.
Parece que muitos já se esqueceram dos absurdos reajustes nas tarifas públicas
dos anos FHC, das duas vezes em que o país quebrou e teve que recorrer ao FMI, FMI que o Lula, como prometeu em sua campanha, mandou às favas. Pagou o que FHC devia e mandou os homens de volta pra sua terra. As tarifas, naquela época, eram reajustadas
sempre muito acima da inflação.
E o salário mínimo?
Parece que já se esqueceram do salário mínimo por volta de 70 dólares da época
FHC, que agora se mantém acima de 210, ou seja, o triplo.
Neste quinto ano de governo Lula, o primeiro do segundo mandato, começam a surtir resultados as medidas de saneamento, organização e revitalização tomadas no primeiro.
Programas como o Bolsa Família, Proger, Prouni, a MP do Lula, que com os empréstimos consignados provocaram a queda geral nas taxas de juros (o empréstimo pessoal batia de 10 a 12% ao mês em 2001) e muitas outras que provocaram desoneração da produção.
Políticas públicas, que só existiam no dicionário da administração pública, finalmente deram as caras e estão transformando o país.
Não é à toa, e não é à toa mesmo, que tantos brasileiros têm melhorado de vida. Mais empregos, melhores salários, mais dignidade e orgulho em ser brasileiro.
Parabéns ao povo brasileiro, que soube escolher e manter o melhor Presidente da República da história. Parabéns Senhor Luis Inácio Lula da Silva, tantas e tantas vezes injustiçado e desrespeitado, como se não fosse o mandatário maior desse imenso país.
Obrigado Lula, pela revolução efetuada pelo seu governo

07 de janeiro de 2008

sábado, 23 de fevereiro de 2008




Vai, pega carona na vida que eu te acompanho
do sono desperta pra fazer por teus sonhos
vai brincar com a lida de fazer parte da torcida
segue a estrada não feita e sem despedida
corre atrás de mim que ainda não saí e já voltei
segue o dia em que te vi e não mais esqueci
é aquele que sou que ainda não beijei
vai de bandeira ao vento levar teu sorriso
a quem não dorme, aflito, por não te saber aqui
vai, anda logo, xispa daqui, que esse lugar já não é
nem foi e ainda não será de ti, nem de mim o lar
vai, vai, anda logo que tarda, não fica amuada
que a vida é mesmo assim, segue logo e come
rápido um farnel que te preparo, um gole dágua
e vai, voa, lépida que és, estarás já, logo, bem
tão perto de mim como quero estar de ti, que
mesmo já vou e fui e voltei também tantas
e tantas vezes em nome do amor, do teu amor.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008



Um som renovado, uma música variada, peculiar, bem tratado em arranjos e técnica.
Um novo som deveras.
As letras saídas de poemas, elas mesmas agora som-copadas-sim, mutantes-reminiscentes delas tais, mas novas outras, nem marginais.
A figura do CD é uma sacada de miolo.

Téo, Casca de Nós me levou à primeira audição de Hendrix (em '69), à primeira visão de Rita com Mutantes, a Secos e Molhados.
E eu senti vida. Muita vida recheada de inteligência.
Muito prazer em ouvir.

Quando for possível, também quero ver!
Vamos tramar.
Quem sabe por aqui, em breve!
Luzes!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008



A literatura policial, gênero que já foi considerado menor, hoje é sem dúvida um clássico. Quem não se move ante a pergunta: “Quem é o culpado?”.
Nesse caso, a “culpa” é de um processo lento entre o conflito do passado, com a falta de clareza do presente e a intangibilidade do futuro.
Li o Dia do Descanso de Deus, e confesso que me surpreendi. Vi na novela, a determinação de um Ahab na busca pela vingança ao cetáceo que lhe arrancou a perna em Moby Dick.
Vi os detetives e seus ajudantes enfrentando a agrura que é desvendar um mistério. Vi tua fluência ao brincar de esconde-esconde nas idas e vindas do texto. Vi tua ousadia ao revelar (ainda na metade do texto) o culpado, mas escondê-lo mesmo assim de um(a) leitor(a) que vai “compreender” a motivação apenas nas últimas páginas. Vi o ritmo de aventura necessário aos tempos atuais, todavia regado a chimarrão e aquele olhar fraterno, mas não totalmente aberto à primeira estampa, do gaúcho. Vi uma persona que já nasce clássica tal qual o pistoleiro fantasma que volta para a vingança no Outlaw do Clint Eastwood, que é o Romão e seu hábito de cuspir na própria sombra.
Mas, principalmente vi, (e é aí que para mim que o conheço de esguelha) a forma como resolvestes o mistério de escrever um texto moral, nas veias de um militante.
Nunca deixamos de ser o que somos, e no teu caso, isso está no texto. A política é presente sem ser chata. No trânsito das idas e vindas há um signo comum que é a unidade em torno de um compromisso do trio de amigos que sequer o tempo ou o Descanso de Deus, podem abalar. Muitos militantes, picados pela mosca azul do Machado, deveriam entender o que conseguistes “enuviar” em teia de fina ironia e... mistério, célula constitutiva de todo bom policial.
Confesso a grata surpresa, quando beiras o surrealismo em alguns trechos envolvendo o Domício, durante toda a trama, principalmente no final onde parecemos emaranhados numa lógica aparentemente sem sentido.
Além do que o humor, e esse é um traço teu muito forte, naquele olhar maroto quando: “pega a gente de jeito”.
li-o em Cambará do Sul, diante das auracárias no Parque Nacional dos Aparados da Serra e, assim como os pais de Romão, fui longe estender minha rede para encontrar meu interior.
Parabéns pelos mistérios e pela lição de moral aos que traem os sonhos.
Depois, devemos estar atentos ao coma que os olhos verdes e personagens fortes podem causar em nossos fracos corações, principalmente, quando são Divinas as Lauritas.

José Sílvio Amaral Camargo
zehpoeta@gmail.com