A novela que agora se edita tem todos os ingredientes capazes de tornar a leitura agradável e prender o leitor até o fim. O cenário é o Rio Grande do Sul, num vai e vem entre o interior do Estado e Porto Alegre. O tempo, de certa forma indefinido,
são os anos de chumbo, nunca referidos diretamente, mas que pairam como nuvens
cinzentas sobre todo o transcorrer da novela. As personagens são familiares
para quem vive no Rio Grande, mas universais...
O mais encantador é que não se trata de uma novela linear, com uma temporalidade exata...
A ausência de temporalidade linear contribui para o leitor se apoderar da personalidade e dos dramas de cada uma das personagens e chegar progressivamente ao caminho que conduzirá ao desfecho... a memória não está em segundo plano. Ao contrário, ela é fundamental para a construção das personagens no contexto fluído da bem elaborada estrutura de O Dia do Descanso de Deus.
Temos agora,diante de nós, uma magnífica tragédia que vai enriquecer a nossa literatura: O Dia do Descanso de Deus. Aliás, um longo dia, que dura todo o tempo da novela.
Luiz Paulo de Pilla Vares
Edição do Autor
104 páginas
Lançamento em 31.05.2007
Palavraria Livraria Café
rua Vasco da Gama, 165
Bairro Bom Fim
Porto Alegre
Preço promocional de lançamento R$ 20,00
domingo, 20 de maio de 2007
terça-feira, 15 de maio de 2007
Entrevista do autor sobre processo de criação da primeira novela
A novela O dia do descanso de Deus, primeiro livro de Adroaldo Bauer, já impressa,
Será lançada dia 31 de maio, em sessão de autógrafos, na Palavraria Livraria – Café, em Porto Alegre, rua Vasco da Gama, 165, a partir das 19 horas. O autor já tem um debate marcado com leitores para o 26 de junho, no Plenarinho da Assembléia Legislativa.
Nesta entrevista postada em primeira mão no Overmundo, Juliaura Ubá convidou eventuais leitores a viajar pela novela deste novo escritor ("o primeiro livro a gente não esquece").
Não fez lide ou nariz de cera para não ocupar muito teu tempo.
Citou as personagens de Adroaldo Bauer: Mãos à abóbora! Vá de retro capataz!
Juliaura Ubá – Quem te conhece um pouco sabe que és um sujeito que faz política, fez política nos últimos 30, 40 anos (eu nem pensava em nascer), tem política no enredo da novela.
Adroaldo Bauer – Tem, como tem política na vida de qualquer pessoa, em qualquer tempo, seja ela engajada ou não. Se não faz, fazem pra ela, nem sempre por ela. As personagens existem num tempo entre 1950 e 1970, por aí. É ficção, mas tem a ver com coisas reais, de pessoas comuns, que se amam, se odeiam, até se matam. Mas a personagem principal é a Língua Portuguesa. Eu tenho certeza que não está tudo nos conformes e pela ordem exata, mas tentei ser o mais fiel ao que se dizia e se falava em Português aqui no rio Grande do Sul, num ambiente em transição do rural para o urbano, nas cidades que já iam se modificando para assumir o perfil que têm hoje. Antes, portanto, da ocupação cultural que estamos vivendo. Então, a política aí é também de resistência, acredito.
Juliaura - Por que uma novela?
Adroaldo – Nem sei bem porque. Encafifei com uma frase. Tava trancado num ônibus, num fim de tarde quente. Comecei a suar frio, ter enjôos. A frase é não tenha medo de nada. Duas negativas em oito palavras. Redundância. Pensei que podia dizer, não tenha medo. Achei comum. Cheguei a não tema. Que é o presente. Então, se fose contar uma história, teria que ser menos jornal, mais literário. Encontrei: nada temia. A mesma negativa em duas palavras. Aí dei um nome pro sujeito.
Juliaura – No ônibus?
Adroaldo – É, encontrei a frase e o nome do sujeito ainda no ônibus. E casa, deu vontade de escrever. Fiz três capítulos numa sentada, à mão, caneta e bloco de repórter. Aí apareceram outros personagens. Não consegui dormir direito com aquela multidão comigo na cama.
Juliaura – Que multidão?
Adroaldo – As personagens citadas de passagem começaram a me atazanar cobrando falas, função, papel para elas. Isto era o meio da semana. No fim de semana, cheguei a 12 capítulos.
Juliaura – O enredo estava bolado antes? A idéia, a vértebra da história tinha alguma anotação anterior? Tu vinhas acalentando essa necessidade de escrever a novela há muito tempo?
Adroaldo – Não, filha, se permites o tratamento.
Juliaura – Pra mim é uma honra, ainda que até possa ser tua neta (risos)
Adroaldo – Menos, Juli... Eu não tinha planos de escrever uma novela. Acho mesmo que e uma novela o estilo que acabou resultando. Eu sempre escrevi. Fiz a melhor redação sobre o Dia da Arvore da escola no terceiro ano primário. Fiz alguns versos pro Jornal O Saci, naquela escola. Publiquei alguns versos e contos no jornal O Julinho, em 1972, uma resistência possível que ajudou a reabrir o grêmio estudantil fechado pela ditadura. Rabisquei muito guardanapo em boteco. Publiquei também no Quadrão, que era um suplemento do jornal Folha da Manhã, que os donos fecharam na maior cara de pau em 1980. Mas eram sempre peças curtas, em verso ou prosa. Contos ligeiros, versos rápidos. Mais recentemente fazia resumos de livros e apresentação deles em blogs meu ou de outros e no jornal Fala Brasil, mas isso é muito recente, de uns dois anos para cá.
Juliaura – És poeta também?
Adroaldo – isto é bondade dos amigos. Faço algumas rimas, brincadeira com a sonoridade das palavras. Não sei fazer com métrica. Mas tava dizendo que não tinha roteiro, nem plano de escrever algo parecido com O dia do descanso de Deus.
Juliaura - Então como foi isso?
Adroaldo – Não sei bem direito. Foi sendo, e sendo foi feito. Mostrei os três capítulos pra minha companheira, a Cristina. Ela gostou e disse pra eu continuar a história. Daí eu sentei pra tentar e saíram os 12 capítulos naquele fim de semana que já falei. Então eu não dormia mais sozinho com a Cris. Era aquela multidão se enroscando e mim a noite inteira. Cheguei a 25 capítulos.
Juliaura – Dormindo? Sonhando?
Adroaldo – Não sei bem como é o nome disso. Não é sonho. Daí dei um intervalo de alguns dias. Eram as festas de fim de ano. Daí em janeiro eu me atraquei no computador para dar um fim na história. Teve um momento em que havia três hipóteses pro rumo da história.
Juliaura – Três histórias em uma só?
Adroaldo – Até pode ser, mas prefiro acreditar que eram três finais possíveis. Ainda tem umas idéias sobre os outros dois rumos no Epílogo. Talvez até uma continuação...
Juliaura – Ah! Aquilo que chamam de trilogia...
Adroaldo – Já falei que nem tinha idéia de que pudesse fazer o livro e tu me vens com trilogia, guria. Isso é muita responsabilidade. Mas que tem personagem querendo, isso tem. Essa gente é impossível, quer mais, sempre.
Juliaura – Mudando de saco pra mala, por que estás editando por conta? É uma edição de autor? Estás montado na grana, é isso?
Adroaldo – Antes fosse, guria. Continuo devendo aos banqueiros, vivendo do salário do mês. Tu ainda não tens filho ou filha, não é fato? Imagina o que é ter a criança e deixar ela peladinha na incubadora, esperando sabe-se lá o quê? É bem isso que acontece com autor de primeira viagem, pai ou mãe. A gente quer pegar a criança, quer beijar, quer vê-la e que a vejam. Pra gente ela é a mais bonita. Ou tanto quanto as outras. E ninguém se apresentou para o batismo ou sequer para olhar a recém-nascida.
Juliaura – Mandastes originais para as editoras? Oferecestes na Internet, tem ali umas firmas de e-book?
Adroaldo – filha, a novela é do milênio passado e eu também sou mais de lá, ainda, que de cá. E, se tem uma situação da qual eu não gosto é de pedir penico. Mercado editorial eu compreendo, não quero discutir, mas não engulo coisas do tipo: estamos sem agenda para o momento. Ora, isso é resposta? O momento é a única situação real da existência. Quando termina esse momento. No filme Inteligência Artificial, de que eu gostei muito e recomendo, um momento dramático, pode-se dizer, durou dois mil anos. Um momento terno, prazeroso, feliz, durou 24 horas. Eterno enquanto dure, nos recomendou Vinícius de Moraes. Então eu emputeci, sondei uns amigos aqui, uns conhecidos ali, e decidi fazer com o Shimite, da Proletra. É edição do autor. Escritor pelado e metido a besta, se quiseres.
Juliaura – E a história, o que é? Qual é a mensagem? E o final, ah, ah, ah?
Adroaldo – Já dá pra saber o fim. Está impressa, vai ser lançada em 31 de maio na Palavraria Livraria-Café. O preço promoção de lançamento será R$ 20,00. É comprar e abrir a página 103, que tá lá. Na 104 tem o epílogo. Não aconselho muito essa técnica, porque pode ser que a curiosidade se intrometa e tu tenhas que ler todo o livro para saber porque termina assim a história. E melhor ler desde a primeira página da trama. Tem três capítulos dela, mais a apresentação do meu amigo e colega de jornalismo Pilla Vares, no meu blog, o Retorno Imperfeito, endereço http://coisaegente.blogspot.com e noutros lugares, no Ovemundo, que eu fiquei sabendo de tuas peraltices que resultaram em publicações por aí, até no Shvoong, já me contaram, é isso.
Juliaura – Pois é, li a apresentação do Pilla Vares e vi que ele te chama de velho que demorou pra escrever literatura (risos). Amigão, ele, ãh?
Adroaldo – respeito e bom e conserva os dente guria. Aliás, lindos dentes, menina, quase tão bonitos como os teus olhos. Bem que lembras a Laurita, uma das minhas personagens. Mais pela insolência que pelo feitio. O Pilla é bem assim como tu disseste. É verdadeiro. Ele lamenta de fato que tenha eu resolvido tão tarde dedicar-me a literatura, a um escrito de fôlego. Primeiro eu quero agradecer também aqui, porque já o faço no livro, a gentileza dele me apresentar. E principalmente por ser do jeito que foi. Segundo, porque ele e mais alguns sabem que não era possível eu escrever assim antes pelas tarefas que eu mesmo me impunha no trabalho político e profissional. Ficou pra hora que deu. Ainda bem que ainda me restam mais uns 50 anos de vida e, agora que eu já sei como se faz, vou continuar fazendo. É como coçar. Começou, não pára. Como eu te disse antes, tem personagem cobrando continuação. E, aí eu me recordei de que tinha uns dois capítulos pensados, resolvidos na cabeça, como se diz, mas ainda não escritos de uma outra história que, essa sim, pensei a respeito dela em 1994, quem sabe não dá uma novela. Tem crime que precisa ser explicado e situação que necessita compreender.
Será lançada dia 31 de maio, em sessão de autógrafos, na Palavraria Livraria – Café, em Porto Alegre, rua Vasco da Gama, 165, a partir das 19 horas. O autor já tem um debate marcado com leitores para o 26 de junho, no Plenarinho da Assembléia Legislativa.
Nesta entrevista postada em primeira mão no Overmundo, Juliaura Ubá convidou eventuais leitores a viajar pela novela deste novo escritor ("o primeiro livro a gente não esquece").
Não fez lide ou nariz de cera para não ocupar muito teu tempo.
Citou as personagens de Adroaldo Bauer: Mãos à abóbora! Vá de retro capataz!
Juliaura Ubá – Quem te conhece um pouco sabe que és um sujeito que faz política, fez política nos últimos 30, 40 anos (eu nem pensava em nascer), tem política no enredo da novela.
Adroaldo Bauer – Tem, como tem política na vida de qualquer pessoa, em qualquer tempo, seja ela engajada ou não. Se não faz, fazem pra ela, nem sempre por ela. As personagens existem num tempo entre 1950 e 1970, por aí. É ficção, mas tem a ver com coisas reais, de pessoas comuns, que se amam, se odeiam, até se matam. Mas a personagem principal é a Língua Portuguesa. Eu tenho certeza que não está tudo nos conformes e pela ordem exata, mas tentei ser o mais fiel ao que se dizia e se falava em Português aqui no rio Grande do Sul, num ambiente em transição do rural para o urbano, nas cidades que já iam se modificando para assumir o perfil que têm hoje. Antes, portanto, da ocupação cultural que estamos vivendo. Então, a política aí é também de resistência, acredito.
Juliaura - Por que uma novela?
Adroaldo – Nem sei bem porque. Encafifei com uma frase. Tava trancado num ônibus, num fim de tarde quente. Comecei a suar frio, ter enjôos. A frase é não tenha medo de nada. Duas negativas em oito palavras. Redundância. Pensei que podia dizer, não tenha medo. Achei comum. Cheguei a não tema. Que é o presente. Então, se fose contar uma história, teria que ser menos jornal, mais literário. Encontrei: nada temia. A mesma negativa em duas palavras. Aí dei um nome pro sujeito.
Juliaura – No ônibus?
Adroaldo – É, encontrei a frase e o nome do sujeito ainda no ônibus. E casa, deu vontade de escrever. Fiz três capítulos numa sentada, à mão, caneta e bloco de repórter. Aí apareceram outros personagens. Não consegui dormir direito com aquela multidão comigo na cama.
Juliaura – Que multidão?
Adroaldo – As personagens citadas de passagem começaram a me atazanar cobrando falas, função, papel para elas. Isto era o meio da semana. No fim de semana, cheguei a 12 capítulos.
Juliaura – O enredo estava bolado antes? A idéia, a vértebra da história tinha alguma anotação anterior? Tu vinhas acalentando essa necessidade de escrever a novela há muito tempo?
Adroaldo – Não, filha, se permites o tratamento.
Juliaura – Pra mim é uma honra, ainda que até possa ser tua neta (risos)
Adroaldo – Menos, Juli... Eu não tinha planos de escrever uma novela. Acho mesmo que e uma novela o estilo que acabou resultando. Eu sempre escrevi. Fiz a melhor redação sobre o Dia da Arvore da escola no terceiro ano primário. Fiz alguns versos pro Jornal O Saci, naquela escola. Publiquei alguns versos e contos no jornal O Julinho, em 1972, uma resistência possível que ajudou a reabrir o grêmio estudantil fechado pela ditadura. Rabisquei muito guardanapo em boteco. Publiquei também no Quadrão, que era um suplemento do jornal Folha da Manhã, que os donos fecharam na maior cara de pau em 1980. Mas eram sempre peças curtas, em verso ou prosa. Contos ligeiros, versos rápidos. Mais recentemente fazia resumos de livros e apresentação deles em blogs meu ou de outros e no jornal Fala Brasil, mas isso é muito recente, de uns dois anos para cá.
Juliaura – És poeta também?
Adroaldo – isto é bondade dos amigos. Faço algumas rimas, brincadeira com a sonoridade das palavras. Não sei fazer com métrica. Mas tava dizendo que não tinha roteiro, nem plano de escrever algo parecido com O dia do descanso de Deus.
Juliaura - Então como foi isso?
Adroaldo – Não sei bem direito. Foi sendo, e sendo foi feito. Mostrei os três capítulos pra minha companheira, a Cristina. Ela gostou e disse pra eu continuar a história. Daí eu sentei pra tentar e saíram os 12 capítulos naquele fim de semana que já falei. Então eu não dormia mais sozinho com a Cris. Era aquela multidão se enroscando e mim a noite inteira. Cheguei a 25 capítulos.
Juliaura – Dormindo? Sonhando?
Adroaldo – Não sei bem como é o nome disso. Não é sonho. Daí dei um intervalo de alguns dias. Eram as festas de fim de ano. Daí em janeiro eu me atraquei no computador para dar um fim na história. Teve um momento em que havia três hipóteses pro rumo da história.
Juliaura – Três histórias em uma só?
Adroaldo – Até pode ser, mas prefiro acreditar que eram três finais possíveis. Ainda tem umas idéias sobre os outros dois rumos no Epílogo. Talvez até uma continuação...
Juliaura – Ah! Aquilo que chamam de trilogia...
Adroaldo – Já falei que nem tinha idéia de que pudesse fazer o livro e tu me vens com trilogia, guria. Isso é muita responsabilidade. Mas que tem personagem querendo, isso tem. Essa gente é impossível, quer mais, sempre.
Juliaura – Mudando de saco pra mala, por que estás editando por conta? É uma edição de autor? Estás montado na grana, é isso?
Adroaldo – Antes fosse, guria. Continuo devendo aos banqueiros, vivendo do salário do mês. Tu ainda não tens filho ou filha, não é fato? Imagina o que é ter a criança e deixar ela peladinha na incubadora, esperando sabe-se lá o quê? É bem isso que acontece com autor de primeira viagem, pai ou mãe. A gente quer pegar a criança, quer beijar, quer vê-la e que a vejam. Pra gente ela é a mais bonita. Ou tanto quanto as outras. E ninguém se apresentou para o batismo ou sequer para olhar a recém-nascida.
Juliaura – Mandastes originais para as editoras? Oferecestes na Internet, tem ali umas firmas de e-book?
Adroaldo – filha, a novela é do milênio passado e eu também sou mais de lá, ainda, que de cá. E, se tem uma situação da qual eu não gosto é de pedir penico. Mercado editorial eu compreendo, não quero discutir, mas não engulo coisas do tipo: estamos sem agenda para o momento. Ora, isso é resposta? O momento é a única situação real da existência. Quando termina esse momento. No filme Inteligência Artificial, de que eu gostei muito e recomendo, um momento dramático, pode-se dizer, durou dois mil anos. Um momento terno, prazeroso, feliz, durou 24 horas. Eterno enquanto dure, nos recomendou Vinícius de Moraes. Então eu emputeci, sondei uns amigos aqui, uns conhecidos ali, e decidi fazer com o Shimite, da Proletra. É edição do autor. Escritor pelado e metido a besta, se quiseres.
Juliaura – E a história, o que é? Qual é a mensagem? E o final, ah, ah, ah?
Adroaldo – Já dá pra saber o fim. Está impressa, vai ser lançada em 31 de maio na Palavraria Livraria-Café. O preço promoção de lançamento será R$ 20,00. É comprar e abrir a página 103, que tá lá. Na 104 tem o epílogo. Não aconselho muito essa técnica, porque pode ser que a curiosidade se intrometa e tu tenhas que ler todo o livro para saber porque termina assim a história. E melhor ler desde a primeira página da trama. Tem três capítulos dela, mais a apresentação do meu amigo e colega de jornalismo Pilla Vares, no meu blog, o Retorno Imperfeito, endereço http://coisaegente.blogspot.com e noutros lugares, no Ovemundo, que eu fiquei sabendo de tuas peraltices que resultaram em publicações por aí, até no Shvoong, já me contaram, é isso.
Juliaura – Pois é, li a apresentação do Pilla Vares e vi que ele te chama de velho que demorou pra escrever literatura (risos). Amigão, ele, ãh?
Adroaldo – respeito e bom e conserva os dente guria. Aliás, lindos dentes, menina, quase tão bonitos como os teus olhos. Bem que lembras a Laurita, uma das minhas personagens. Mais pela insolência que pelo feitio. O Pilla é bem assim como tu disseste. É verdadeiro. Ele lamenta de fato que tenha eu resolvido tão tarde dedicar-me a literatura, a um escrito de fôlego. Primeiro eu quero agradecer também aqui, porque já o faço no livro, a gentileza dele me apresentar. E principalmente por ser do jeito que foi. Segundo, porque ele e mais alguns sabem que não era possível eu escrever assim antes pelas tarefas que eu mesmo me impunha no trabalho político e profissional. Ficou pra hora que deu. Ainda bem que ainda me restam mais uns 50 anos de vida e, agora que eu já sei como se faz, vou continuar fazendo. É como coçar. Começou, não pára. Como eu te disse antes, tem personagem cobrando continuação. E, aí eu me recordei de que tinha uns dois capítulos pensados, resolvidos na cabeça, como se diz, mas ainda não escritos de uma outra história que, essa sim, pensei a respeito dela em 1994, quem sabe não dá uma novela. Tem crime que precisa ser explicado e situação que necessita compreender.
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sexta-feira, 11 de maio de 2007
Novela O dia do descanso de Deus será lançada em 31 .05, às 19horas, na Palavraria Livraria-Café.
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terça-feira, 8 de maio de 2007
Ação Negra por um novo mundo possível
I
É já um tempo demasiado longo este em que as diferenças são submetidas à opressão, à negação, à exclusão, à discriminação, à hipocrisia, ao descaso. Uma condição absolutamente injusta. Iníqua.
É hora, já, de lutarmos todos pela superação deste tempo.
É urgente a luta de homens e mulheres que emancipe de fato as diferenças, que instaure a igualdade de direitos, que inaugure as necessárias relações solidárias, fundamentos da construção de um mundo novo possível.
A sociedade que dá fim à exploração do trabalho e põe os frutos da produção coletiva à mesa de todos os produtores só pode ser finalmente conquistada com a destruição do capitalismo. E esta condição requer o reconhecimento, hoje, da igualdade de direitos entre todos os seres humanos.
É a luta pela conquista da igualdade de direitos e oportunidades que informa de maneira consistente e consciente o combate contra a sociedade de classes imposta pela dominação capitalista.
Em nosso país, o modo de produção escravista realizado por mais de três séculos deitou fundas as raízes da iniqüidade em toda as relações sociais formadoras da nacionalidade. Elas ainda hoje permeiam o conjunto da vida social brasileira como se revela no retrato trágico da exclusão pela discriminação racial.
A exploração do trabalho de milhões de seres humanos aprisionados em África [chamados escravos pelos traficantes e proprietários, de negros pela elite colonial e européia, de gentios pela ideologia dominante que lhes permitia a escravização do semelhante e a ele outorgava a condição de mercadoria ou mão-de-obra] ergueu fortunas, riquezas, países, impérios, na América e na Europa.
Aqui foi concedida alforria aos senhores, desobrigados da manutenção da posse e da indenização devida a trabalhadores e a todas as gerações escravizadas da etnia vilipendiada. A farsa colonialista da Abolição aprisionou nas faldas e sopés de morros, nas matas, nos grotões e beiras de estrada a multidão expulsa sem meios das lavouras e minas. Sem mais ferros, chicotes e senzala, agora à mercê do modo de exploração do trabalho no processo de industrialização ainda incipiente.
Ao imigrante branco, o império deu a terra. Produzida a subsistência, a renda restante começaria a alavancar aqui o processo mercantil necessário à produção fabril inglesa de matriz ou filial... [ou francesa, ou alemã, ou belga...]
O novo modo de reproduzir a existência submeteu de forma cruel homens e mulheres africanos ou afrodescendentes, crianças, jovens ou velhos.
Nenhuma reparação, sem qualquer indenização. Sem chão, sem casa, sem posto de trabalho [nem eira ou beira].
A modernidade só vai encontrar o Brasil tardiamente, já no limiar do século 20.
O novo milênio, inaugurado pelo século 21, é um tempo de necessárias e urgentes definições. Nos exige compromisso que somente pode ser Socialista.
Um tempo em que a barbárie é acelerada pela implementação da lógica da guerra pela nova potência imperial do planeta e pelo avanço da política neoliberal.
Nós, que estamos em luta pela liberdade, não acobertamos a injustiça e a opressão. São dobradas as nossas tarefas contra qualquer atentado à dignidade e à vida e de defesa da valorização do produto do trabalho da humanidade, de reparação efetiva da própria condição humana.
A hora exige radical defesa das liberdades públicas, do respeito à diferença e da igualdade de direitos.
Na teoria e na ação, no Brasil e no Mundo.
É por esta razão o nosso compromisso com o combate ao racismo, pelas reparações com ocupação democrática do território, pela extinção da sociedade de classes.
Em pouco mais de uma década, a grande burguesia financeira internacional produziu ao final do século recém findo uma reviravolta impressionante nas relações de produção, nas relações de domínio de classe. Onde apenas seu domínio, o domínio do grande capital financeiro imperialista, não diminuiu. Ao contrário, construiu novas e mais aparentes formas de dominação sobre os mercados e a força de produção de praticamente todo o planeta. Implementando uma nova divisão internacional do trabalho e da acumulação capitalista, com a transformação do papel dos estados nacionais, eliminação de barreiras alfandegárias entre países (particularmente dos mais pobres), desregulamentação do trabalho e o crescimento do poder do grande capital internacional. Os governos neoliberais, muitos deles dirigidos pela social-democracia, foram nestes anos a principal ferramenta desta política de rapina adotada pelos grandes monopólios internacionais.
A globalização constitui-se em uma estratégia de acumulação que, operada a partir destes governos "nacionais", impôs a eliminação de todos os meios de proteção do trabalho e do desenvolvimento das economias nacionais. Produziu a transformação dos valores culturais, ideológicos e econômicos a partir destes oligopólios.
A conseqüência é a dilapidação do mercado nacional e desestruturação do sistema produtivo de cada país, a aniquilação das culturas locais, a sonegação dos direitos, corroendo progressivamente as bases de um conceito de nação.
As respostas às crises capitalistas e confrontos sociais, via de regra, no Brasil, se deram pela constante renovação dos pactos de elite, sempre utilizando a violência e mecanismos autoritários. Mesmo para seus objetivos de transformação, de modificação do modelo econômico, poucas vezes na história brasileira percebemos fração da burguesia disposta a concluir todas as tarefas dela para modificação da estrutura econômica.
A estrutura política reflete este caráter antidemocrático das elites locais. Ainda que formalmente republicana, federativa e democrática, a organização política brasileira é extremamente patrimonialista, centralizada e autoritária.
Somente a unidade popular poderá quebrar esta história.
E só estaremos prontos para fazê-lo se atuarmos por esta unidade. Se constituirmos inegável movimento de massas através de uma ação radical de todos os lutadores anti-racistas em todas as instâncias, unificados por uma plataforma de lutas comum para a disputa na sociedade. Uma verdadeira ação negra. Uma ação de todos os explorados e discriminados, da maioria negra.
O modo de proceder do indivíduo antecede à existência da coletividade, eis que a coletividade resulta de indivíduos que se orientam pelos mesmos objetivos, idéias e práticas.
Nosso pressuposto é conquistar o regramento das ações do indivíduo para que este faça crescer a coletividade e não o individualismo, a arrogância, a prepotência, a intolerância, o centralismo e o personalismo.
O respeito ao conhecimento e à produção coletivas significam que o projeto não pertence a um indivíduo, mas sim à coletividade.
É fundamental a constituição de referências permanentes que articulem as lutas populares, partidárias, institucionais e culturais, que integrem a militância social e militâncias partidárias.
Nossa ação nos espaços que ocupamos deve realizar a conversão das teses para a vida, superando os limites burocráticos, implementando políticas que façam, de fato, avançarmos no nosso projeto, emancipando os trabalhadores, superando a discriminação, fortalecendo os movimentos, combinando tese e prática, discurso e fazer cotidiano e ação institucional.
Assim, nós, cada um, constituiremos os parâmetros que balizem ações permanentes, que prefigurem no presente a sociedade nova do mundo que queremos revolucionado pelas idéias de reparação, fim da iniqüidade, igualdade de oportunidade e direitos, as idéias socialistas para um mundo socialista.
É já um tempo demasiado longo este em que as diferenças são submetidas à opressão, à negação, à exclusão, à discriminação, à hipocrisia, ao descaso. Uma condição absolutamente injusta. Iníqua.
É hora, já, de lutarmos todos pela superação deste tempo.
É urgente a luta de homens e mulheres que emancipe de fato as diferenças, que instaure a igualdade de direitos, que inaugure as necessárias relações solidárias, fundamentos da construção de um mundo novo possível.
A sociedade que dá fim à exploração do trabalho e põe os frutos da produção coletiva à mesa de todos os produtores só pode ser finalmente conquistada com a destruição do capitalismo. E esta condição requer o reconhecimento, hoje, da igualdade de direitos entre todos os seres humanos.
É a luta pela conquista da igualdade de direitos e oportunidades que informa de maneira consistente e consciente o combate contra a sociedade de classes imposta pela dominação capitalista.
Em nosso país, o modo de produção escravista realizado por mais de três séculos deitou fundas as raízes da iniqüidade em toda as relações sociais formadoras da nacionalidade. Elas ainda hoje permeiam o conjunto da vida social brasileira como se revela no retrato trágico da exclusão pela discriminação racial.
A exploração do trabalho de milhões de seres humanos aprisionados em África [chamados escravos pelos traficantes e proprietários, de negros pela elite colonial e européia, de gentios pela ideologia dominante que lhes permitia a escravização do semelhante e a ele outorgava a condição de mercadoria ou mão-de-obra] ergueu fortunas, riquezas, países, impérios, na América e na Europa.
Aqui foi concedida alforria aos senhores, desobrigados da manutenção da posse e da indenização devida a trabalhadores e a todas as gerações escravizadas da etnia vilipendiada. A farsa colonialista da Abolição aprisionou nas faldas e sopés de morros, nas matas, nos grotões e beiras de estrada a multidão expulsa sem meios das lavouras e minas. Sem mais ferros, chicotes e senzala, agora à mercê do modo de exploração do trabalho no processo de industrialização ainda incipiente.
Ao imigrante branco, o império deu a terra. Produzida a subsistência, a renda restante começaria a alavancar aqui o processo mercantil necessário à produção fabril inglesa de matriz ou filial... [ou francesa, ou alemã, ou belga...]
O novo modo de reproduzir a existência submeteu de forma cruel homens e mulheres africanos ou afrodescendentes, crianças, jovens ou velhos.
Nenhuma reparação, sem qualquer indenização. Sem chão, sem casa, sem posto de trabalho [nem eira ou beira].
A modernidade só vai encontrar o Brasil tardiamente, já no limiar do século 20.
O novo milênio, inaugurado pelo século 21, é um tempo de necessárias e urgentes definições. Nos exige compromisso que somente pode ser Socialista.
Um tempo em que a barbárie é acelerada pela implementação da lógica da guerra pela nova potência imperial do planeta e pelo avanço da política neoliberal.
Nós, que estamos em luta pela liberdade, não acobertamos a injustiça e a opressão. São dobradas as nossas tarefas contra qualquer atentado à dignidade e à vida e de defesa da valorização do produto do trabalho da humanidade, de reparação efetiva da própria condição humana.
A hora exige radical defesa das liberdades públicas, do respeito à diferença e da igualdade de direitos.
Na teoria e na ação, no Brasil e no Mundo.
É por esta razão o nosso compromisso com o combate ao racismo, pelas reparações com ocupação democrática do território, pela extinção da sociedade de classes.
Em pouco mais de uma década, a grande burguesia financeira internacional produziu ao final do século recém findo uma reviravolta impressionante nas relações de produção, nas relações de domínio de classe. Onde apenas seu domínio, o domínio do grande capital financeiro imperialista, não diminuiu. Ao contrário, construiu novas e mais aparentes formas de dominação sobre os mercados e a força de produção de praticamente todo o planeta. Implementando uma nova divisão internacional do trabalho e da acumulação capitalista, com a transformação do papel dos estados nacionais, eliminação de barreiras alfandegárias entre países (particularmente dos mais pobres), desregulamentação do trabalho e o crescimento do poder do grande capital internacional. Os governos neoliberais, muitos deles dirigidos pela social-democracia, foram nestes anos a principal ferramenta desta política de rapina adotada pelos grandes monopólios internacionais.
A globalização constitui-se em uma estratégia de acumulação que, operada a partir destes governos "nacionais", impôs a eliminação de todos os meios de proteção do trabalho e do desenvolvimento das economias nacionais. Produziu a transformação dos valores culturais, ideológicos e econômicos a partir destes oligopólios.
A conseqüência é a dilapidação do mercado nacional e desestruturação do sistema produtivo de cada país, a aniquilação das culturas locais, a sonegação dos direitos, corroendo progressivamente as bases de um conceito de nação.
As respostas às crises capitalistas e confrontos sociais, via de regra, no Brasil, se deram pela constante renovação dos pactos de elite, sempre utilizando a violência e mecanismos autoritários. Mesmo para seus objetivos de transformação, de modificação do modelo econômico, poucas vezes na história brasileira percebemos fração da burguesia disposta a concluir todas as tarefas dela para modificação da estrutura econômica.
A estrutura política reflete este caráter antidemocrático das elites locais. Ainda que formalmente republicana, federativa e democrática, a organização política brasileira é extremamente patrimonialista, centralizada e autoritária.
Somente a unidade popular poderá quebrar esta história.
E só estaremos prontos para fazê-lo se atuarmos por esta unidade. Se constituirmos inegável movimento de massas através de uma ação radical de todos os lutadores anti-racistas em todas as instâncias, unificados por uma plataforma de lutas comum para a disputa na sociedade. Uma verdadeira ação negra. Uma ação de todos os explorados e discriminados, da maioria negra.
O modo de proceder do indivíduo antecede à existência da coletividade, eis que a coletividade resulta de indivíduos que se orientam pelos mesmos objetivos, idéias e práticas.
Nosso pressuposto é conquistar o regramento das ações do indivíduo para que este faça crescer a coletividade e não o individualismo, a arrogância, a prepotência, a intolerância, o centralismo e o personalismo.
O respeito ao conhecimento e à produção coletivas significam que o projeto não pertence a um indivíduo, mas sim à coletividade.
É fundamental a constituição de referências permanentes que articulem as lutas populares, partidárias, institucionais e culturais, que integrem a militância social e militâncias partidárias.
Nossa ação nos espaços que ocupamos deve realizar a conversão das teses para a vida, superando os limites burocráticos, implementando políticas que façam, de fato, avançarmos no nosso projeto, emancipando os trabalhadores, superando a discriminação, fortalecendo os movimentos, combinando tese e prática, discurso e fazer cotidiano e ação institucional.
Assim, nós, cada um, constituiremos os parâmetros que balizem ações permanentes, que prefigurem no presente a sociedade nova do mundo que queremos revolucionado pelas idéias de reparação, fim da iniqüidade, igualdade de oportunidade e direitos, as idéias socialistas para um mundo socialista.
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